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sexta-feira, 3 de abril de 2015

Governo do RJ pagará enterro no Piauí de menino morto no Alemão.

Por determinação do governador Luiz Fernando Pezão, as despesas com o traslado e o sepultamento do corpo do menino Eduardo de Jesus Ferreira será no município de Corrente-PI. assim como a viagem dos pais, serão arcadas pelo governo do estado. Técnicos da Secretaria estadual de Assistência Social prestam assistência e dão amparo psicológico à família do menino morto na quinta-feira (02/04/2015), no Complexo do Alemão, na Zona Norte, durante uma operação policial, informou na noite desta sexta-feira 3) o governo do estado.
Na tarde desta sexta, moradores iniciaram um protesto que resultou em confronto com policiais militares. Para tentar impedir que os manifestantes alcançassem a Estrada do Itararé, principal via da região, policiais chegaram a usar bombas de efeito moral e spray de pimenta. Manifestantes reagiram atirando garrafas e colocando móveis nas vias como barricadas.
Pezão e a secretária de Assistência Social, Teresa Cosentino, conversaram com o pai de Eduardo, nesta sexta.
“Estou profundamente consternado. Conversei com o seu José e me coloquei à disposição da família para ajudar a abrandar a dor no coração dele e da mãe. Determinei a funcionários do Estado todo o empenho no auxílio à família que vive uma dor inimaginável. Pedi também o máximo de rigor e celeridade nessa investigação. A morte do Eduardo não ficará impune. Não podemos perder nossas crianças de maneira brutal”, afirmou Pezão.
A doméstica Terezinha Maria de Jesus, de 40 anos, afirmou na manhã desta sexta que não quer mais ficar no Rio de Janeiro após a morte do seu filho, Eduardo. Em entrevista ao G1, ela disse que quer enterrar o filho no Piauí e, em seguida, se mudar.
“Quero tirar o meu filho daqui, quero enterrar no Piauí. Vou levar o corpo do meu filho para o Piauí. Vou voltar [ao Rio] porque eu quero justiça e depois eu vou embora para lá. Não quero ficar nesse lugar maldito, eu vou sair daqui”, afirmou.
O garoto foi baleado na porta de casa e morreu na hora no fim da tarde da quinta-feira (2), no Conjunto de Favelas do Alemão. Terezinha diz que um policial fez o disparo. A Divisão de Homicídios da Polícia Civil investiga o caso. com ajuda da Coordenadoria de Polícia Pacificada. Os policiais envolvidos na operação foram afastados das funções nas ruas, tiveram as armas apreendidas e já respondem um Inquérito Policial Militar (IPM).
Para Terezinha, voltar para casa é muito difícil porque tudo faz lembrar o menino Eduardo.
“Passei a madrugada na casa da minha vizinha. Só passei em casa para pegar o documento dele para ir no IML. Eu não quero mais voltar pra aquela casa, tudo me lembra ele. É muito difícil”, disse Terezinha, muito emocionada.
A Polícia Civil informou, nesta sexta, que foi instaurado um inquérito para apurar as circunstâncias da morte de Eduardo. Uma perícia foi realizada no local, e os familiares da criança foram ouvidos. Os policiais militares envolvidos no episódio serão chamados para prestar depoimento. As armas apreendidas serão levadas para confronto balístico.
De acordo com a PM, Um Inquérito Policial Militar (IPM) foi instaurado e as armas dos policiais apreendidas pela Polícia Civil.
PAI DIZ QUE ATO FOI 'COVARDIA'.
O pai do menino afirmou, na manhã desta sexta, em entrevista à GloboNews, que os policiais atiraram a uma distância de cerca de 10 metros do menino. “Meu filho não merecia ser morto da maneira que ele morreu. Um inocente que tinha 10 anos de idade, era estudioso, todo dia estava no colégio dele e tinha muitos sonhos. Era uma criança muito bacana, para mim era tudo na minha vida. A polícia entra sem saber trabalhar. Como ele falou que era filho de bandido, atirou no meu filho na maior covardia. Atirou na cara do meu filho a uma distância de 10 metros, no máximo, por trás das costas do meu filho ainda”, afirmou o pai.
Eduardo de Jesus Ferreira iria começar um curso na Tijuca, Zona Norte do Rio, segundo informações da mãe da criança. “Ele estudava o dia inteiro, ele ia fazer um curso do Sebrae na Tijuca. Eu matriculei e ele ia começar na quarta-feira (8), e eles tiraram o sonho do meu filho”, afirmou.
Na quinta, Terezinha, que tem outros quatro filhos, repetia que Eduardo queria ser bombeiro. “Tiraram o sonho do meu filho. Tiraram todas as chances dele. Eu fazia de tudo para ele ter um futuro bom. Aí vem a polícia e acaba com tudo”, lamentou. “Ele sempre falava que queria ser bombeiro. Ele estudava o dia inteiro, participava de projeto na escola, só tirava notas boas. Por que fizeram isso com meu filho?”, questionava sem parar.
MORADORES FAZEM HOMENAGEM.
Moradores do Conjunto de Favelas do Alemão, na Zona Norte do Rio, fizeram uma homenagem, na noite quinta-feira (2), às vítimas da violência na comunidade. Eles acenderam velas, rezam um Pai Nosso e caminharam pelas ruas do complexo, em ação para lembrar os mortos no fogo cruzado entre polícia e criminosos.
Segundo o jornal Voz da Comunidade, o ato durou cerca de 30 minutos. Às 9h desta sexta-feira (3), a hashtag #PaznoAlemão estava entre os destaques do Twitter no Brasil.
OUTRAS VÍTIMAS.
Pelo menos outras duas pessoas foram atingidas por balas perdidas no Alemão desde a tarde desta quarta (1º) – uma mulher morreu e a filha dela ficou ferida. No total, além de Eduardo, outras seis pessoas foram baleadas em dois dias – três morreram. Há cerca de 90 dias seguidos os moradores do Alemão convivem com intensos tiroteios.
Pela manhã, uma base da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), na Rua Canitá, foi atacada. Janelas da unidade, que funciona dentro de um contêiner, foram quebradas. Segundo o CPP, pessoas não identificadas também colocaram fogo em uma caçamba de lixo que fica ao lado da unidade. O fogo em um colchão chegou a atingir uma parte da base.
BANDEIRA VERMELHA.
O Alemão foi classificado como uma área de bandeira vermelha, onde há resistência do tráfico e risco para a ação da polícia. Por isso, o Comando de Operações Especiais (COE) foi acionado.
A nova classificação das UPPs foi publicada no Diário Oficial há duas semanas. As áreas de bandeira amarela são aquelas que ainda apresentam riscos, mas têm uma tendência de estabilização, e as de bandeira verde, onde o processo de pacificação é considerado estável.
PUBLICADA POR: Alonso Bisorão.

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