Preocupados em não ter como escoar a produção
de mais de 165 milhões de toneladas de grãos na região Sul do Piauí, produtores
do cerrado estão investindo cerca de R$ 50 mil do próprio bolso para construir
uma estrada que liga a BR-135 a rodovia transcerrados no município de Currais-PI,
a 640 km de Teresina-PI. A situação é ainda mais grave já que os próprios
agricultores estão pagando o combustível para os tratores do Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC), doados pelo Governo Federal para a prefeitura
municipal.
De acordo com o produtor Abel Pieta,
proprietário da Fazenda União, a sensação é de "mãos amarradas", já
que houveram várias tentativas de diálogo com a prefeitura, porém nada foi
feito.
"Estamos com as mãos amarradas, sem
muita alternativa. O prefeito diz que buscou o governo mas não deixou uma
resposta. A colheita está chegando e não podemos esperar a estrada precisa ser
feita pois os caminhões não tem condições de chegar até a rodovia. Qualquer
chuva, buracos enormes impedem a passagem", relatou o produtor.
Segundo ele, cerca de cinco produtores estão
reunidos para custear a obra. "São cinco fazendas unidas fornecendo os
próprios caminhões para a obra, além de pagar o diesel para os tratores da
prefeitura. Fora isso temos montado um local onde é feita a comida para os
trabalhadores da estrada. Só em combustível estimamos um gasto de R$ 15 mil,
sem contar os gastos com nossos tratores que não contabilizamos",
acrescentou o agricultor.
Abel explica que sem a construção da estrada,
os custos com o transporte dos grãos, além de provocar prejuízos poderiam
refletir no valor repassado aos consumidores, já que os caminhoneiros
aumentariam o preço do frete pelas más condições de circulação na estrada.
"Nós precisamos fazer isso porque a
quantidade de grãos é imensa e se não fosse feita o prejuízo seria imensurável.
Os caminhoneiros aumentariam o frete e a gente não saberia o tamanho desse
prejuízo", pontuou.
O produtor explica que o prefeito havia
prometido em reuniões a construção da estrada, porém recentemente teria alegado
falta de condições na prefeitura para executar a construção. "Nos reunimos
com ele e ele falou que faria duas vezes e agora começa a colheita e não temos
como escoar o produto. Ninguém assume a estrada porque eles dizem que não tem
condições", acrescentou.
Abel lamenta a situação e questiona o que é
feito com os impostos pagos pelos produtores. "Pagamos um ICMS muito caro,
impostos altíssimos e não vemos resultado. Para onde vai o dinheiro?? Não
sabemos dizer", desabafou.
O Cidadeverde.com tentou contato com o
prefeito Raimundo Santos, mas não obteve retorno.
PUBLICADA POR: Alonso Bisorão.
FONTE: http://cidadeverde.com/
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